sábado, 29 de março de 2014

Entendendo neoplasias

Nos últimos meses pela presença de um câncer no meu ambiente familiar, senti a necessidade de escrever sobre assunto, nem tanto para infomar mas sim para que eu mesma pudesse entender um pouquinho a respeito dessa patologia. Nos próximos posts a partir de hoje, semanalmente vou falar sobre um tipo comum de câncer. Se alguém que estiver lendo e quiser discordar do que eu escrevo, fique livre para fazer as correções necessárias. 

Começando pelo começo, o que é o câncer?

De forma bem simplificada o câncer é um termo comum para designação de um neoplasma maligno. Ok, o que é um neoplasma? Neoplasma é uma massa celular de crescimento excessivamente anormal, descoordenado e de forma autônoma com o tecido do entorno. Tumores, sinônimo de neoplasias, são divididos em benignos e malignos. 
O que diferencia um câncer de um tumor benigno? Normalmente, o crescimento celular é acompanhado por uma infiltração progressiva, ou seja, o tecido circundante é invadido e destruído por essa massa descoordenada e, essa "expansão" é relativamente rápida quando comparada a um tumor benigno, uma vez que no tumor benigno  esse crescimento pode ser pontual e capsulado, sendo (geralmente) de fácil remoção. 
 O que é difícil determinar, na verdade, são os fatores que levam ao desenvolvimento do câncer no organismo. Do ponto de vista hereditário, fatores genéticos são os mais importantes. Nesse sentido, os oncogenes exercem papel de proteção determinantes, porque geralmente esses genes estão relacionados à regulação do ciclo celular (direta ou indiretamente), principalmente porque boa parte deles são genes supressores e em escala molecular a alteração em alguns genes que possuam eventualmente um papel central em sistemas regulatórios implica um impacto muito expressivo no organismo e assim pode surgir uma neoplasia.
Contudo, o meio ambiente também influência muito no surgimento da doença neoplásica. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer - INCA, até 90% dos casos de cânceres estão relacionados ao comportamento humano, tais como: tabagismo, alcoolismo, hábitos sexuais e etc.
Entre os diversos tipos de tumores malignos que existem, o melanoma é um tipo de câncer de pele que se desenvolve nas células chamadas de melanócitos. Melanócitos são células especializadas na produção de um pigmento chamado melanina, a melanina entre outras coisas confere proteção contra a radiação solar.
É de se admitir que um melanoma seja causado pela excessiva radiação solar. NÃO É BEM ASSIM!
Nos casos mais comuns o melonoma é um tumor que se desenvolve sobre uma pinta, basicamente uma pinta assimétrica, com bordas irregulares, com coloração (variável mas normalmente escuras), e diâmetro maior que 0,6 cm (parece pequeno mas é relativamente grande em se tratando de pintas). Contudo, não se desenvolve exclusivamente sobre pintas, podendo atingir QUALQUER região da pele com ou sem pinta. O melanoma é a forma mais agressiva dos cânceres de pele. Sintomas frequentes são coceira, sangramento e inflamação, formando uma lesão que pode ser até necrosante. 
O melanoma ainda se divide em 3 tipos: Lentigo (porque tem crescimento lento) o mais comum entre os três tipos, atinge áreas que estão constantemente expostas ao sol, como pescoço, braços, pernas etc. A faixa etária mais propensa a essa injúria é a de 60-70 anos. Nodular apresenta lesão em alto relevo, a segunda forma mais comum, corresponde de 15% a 30% dos casos, no entanto é o que apresenta a maior taxa de mortalidade. E por fim, mas não menos importante Acral ocorre nas extremidades, regiões que NÃO SÃO EXPOSTAS À RADIAÇÃO SOLAR, podendo ser originado pelo trauma crônico e por isso sem origem genética hereditária.
Para o tratamento do câncer de pele a indicação recomendada é cirurgia seguida por quimioterapia e radioterapia dependendo do estadiamento da doença.
Em casos de metástase o tratamento é apenas para aliviar os sintomas da doença e melhorar a qualidade de vida do paciente.


Fontes utilizadas no texto:

Fundamentos de Patologia - Robbins & Cotran. 7ª Edição.

Melanoma: From Melanocyte to Genetic Alterations and Clinical Options

sábado, 22 de junho de 2013

Saga por um orientador, parte II

Retomando o último post, se encontrar um bom orientador no Brasil já não é uma tarefa fácil imaginem então como é sair através da internet procurando um "Mago dos Mestres" no exterior.
Em primeiríssimo lugar é necessário ter em mente o que você quer buscar profissionalmente, pois uma coisa é fato, aqui no Brasil o Mestrado direciona o aluno para dar aula e inicia ele na pesquisa, no entanto, isso não ocorre frequentemente em outros lugares do mundo.
A maioria dos grandes centros direcionam o aluno desde a graduação e, assim a pós graduação é dividida em Doutorado e Pós Doutorado. No Doutorado (geralmente) decidimos qual será nossa linha de atuação como cientistas, então escolher um bom curso, uma boa universidade, um bom orientador é crucial para nossa carreira científica, pois é no Doutorado que conseguiremos consolidar uma pesquisa, produzir artigos, aumentar nossa rede de colaboração com outros pesquisadores. Tudo isso é de muita importância para as agências de fomento à pesquisa, as quais cedo ou tarde todos nós cientistas iremos submeter nossos projetos em prol da ciência. Uma moeda de troca um pouco injusta, quanto maior a produção científica maior é o financiamento de um projeto, contudo, maior produção científica não significa maior qualidade e ainda, trabalhar muito não significa produção científica alta.
Mas como estamos no Brasil, no Mestrado direcionamos nossa pesquisa, no meu caso eu sou Mestre (super chique, ser Mestre) em Patologia, Microbiologia e Parasitologia, como eu já havia dito em outros posts eu aprofundei meus conhecimentos no estudo de doenças renais. No Doutorado eu preciso necessariamente trabalhar com rim? NÃO! Isso é mais que óbvio, mas seria significativamente interessante se a pesquisa permeasse esse tema, afinal a produção de papers TENDE (mas não é uma regra) a ser maior quando se estuda o mesmo assunto com focos diferentes.
Então vejamos, uma vez que eu tenha escolhido uma linha de pesquisa teoricamente eu sei onde procurar um orientador. Procurei nos artigos, em que li, os pesquisadores que trabalhavam com o mesmo assunto que eu, ou nos locais indicados pelo CNPQ, como fonte de pesquisa Pubmed e The World University Rankings. Da grande maioria de pesquisadores com quem entrei em contato um outro respondeu meu email com um texto vago ou com um não bem direto.
Como não obtive inicialmente a resposta que eu gostaria, comecei a procurar centros de Pesquisa, entrei em contato com inúmeros e a minha cabeça começou a fervilhar em ideias. E em cada site que eu entrava uma fogueira de esperança tomava conta do meu coração.
Algo que eu já esperava aconteceu, alguns pesquisadores me responderam, e aí minha gente, a decepção deu lugar a realidade. A primeira barreira que eu encontrei foi o meu curriculum. Pois é, procurar um grande centro no exterior além de não ser tão simples requer um curriculum atraente e quando eu digo atraente eu quero dizer cheio de artigos, que é a nossa moeda de troca (como mencionado acima).
Enfim, a dura realidade das Universidades brasileiras é que elas preparam o aluno para o mundo, mas não oferecem ao aluno o que ele mais precisa PRODUÇÃO CIENTÍFICA. Tudo bem que isso não é o fim do sonho, mas é uma pedrinha no nosso sapato sim. 
Algo que eu não esperava também aconteceu, depois de receber um SIM maravilhoso, eu fui procurar como obter uma bolsa de estudos e para minha surpresa foi que a bolsa oferecida pelo CNPQ, através do Ciência sem Fronteiras favorece principalmente estudantes de graduação, mas para um estudante de pós graduação é muito complicado viver com $1300. Essa bolsa oferecida para formação dos cientistas brasileiros tem de ser suficiente para: comer, morar, estudar, se vestir, se deslocar da sua casa até a Universidade ou Centro de Pesquisa, comprar remédio e etc.
Os grandes Institutos de Pesquisa além do curriculum pedem um estágio prévio de pelo menos 1 mês no laboratório de interesse, além de uma prova oral para avaliação do Inglês, acho justo. Em troca eles oferecem uma bolsa própria e o sonho de se tornar um grande pesquisador.
E isso é só o começo.









sábado, 4 de maio de 2013

Saga por um orientador- Parte I

Esses dias eu recebi um email de um visitante elogiando a página aqui do Sublime Biologia, entre outras coisas ele comentou que era uma pena o blog estar desativado. Então, pensando em aproveitar melhor o tempo livre que eu tenho, resolvi compartilhar com vocês minha saga em busca de um Orientador.
Para quem acompanhou a criação desse blog, deve se lembrar que eu o construí ainda durante o período da graduação, no início o blog tinha a intenção de discutir ou apenas informar temas que estivessem relacionados a Biologia da Conservação, com o tempo os assuntos foram ficando mais variados e a ideia inicial transformou-se em um "Bioloblog". 
Terminei a graduação, passei num Programa de Mestrado, concluí um projeto relacionado a estresse oxidativo e doenças degenerativas, publiquei um artigo, dei aulas de biologia e química numa escola pública e então, finalmente arrumei um emprego. 
É claro que entre eu concluir a graduação e arrumar um emprego, três longos e intermináveis anos de estudo, sofrimento e muita dedicação permearam meus dias e noites até chegarmos aqui (dia 04/maio/2013)  no ponto onde eu começo a transformar novamente a cara desse blog.
Para resumo dessa ópera, eu dediquei 6 anos da minha vida ao estudo da Patologia Renal e hoje eu trabalho no Laboratório de Imunologia de Transplantes com adivinha o que? Com RINS!!!
Para algumas pessoas ser bem sucedido na vida é uma tarefa fácil, mas para pessoas como eu é praticamente impossível sem dedicação, estudo e paciência.
Eu tenho o emprego dos sonhos de muita gente, eu não sou uma bióloga ryca (existe isso?) mas eu trabalho com o que eu gosto, ganho "relativamente" bem, tenho bons colegas de trabalho, estudo diariamente e tenho tempo livre para sair, me divertir e me aventurar num relacionamento amoroso desastroso com a mesma pessoa de sempre.
Eu poderia estar satisfeita com isso, mas eu sinto falta de algo a mais, e esse algo a mais tem nome e chama-se Doutorado.
O problema é que eu não quero simplesmente um título, eu quero ganhar o Nobel de Medicina no estudo de Insuficiência Renal. Mas para isso eu preciso sair em busca de um Orientador, um Mestre dos Magos!
O Brasil oferece através do Programa Ciência sem Fronteiras uma oportunidade de jovens pesquisadores conhecerem grandes centros de pesquisa fora do nosso país e em troca trazer conhecimento e tecnologia ao desenvolvimento nacional.
Seria perfeito se fosse mais simples, para por em prática essa "ferramenta" do nosso governo é necessário em primeiríssimo lugar um termo de um aceite assinado por um orientador, aceitando o projeto e o pesquisador como aluno.
E aí meus amigos é que começa a minha sina.
No próximo capítulo dessa história, eu vou contar como foi, ou melhor como está sendo a primeira fase dessa busca: A REJEIÇÃO!
Beijos e até o próximo post.


quinta-feira, 21 de junho de 2012

sábado, 28 de abril de 2012

Campanha: Veta Dilma.

A campanha Veta Dilma tomou força nas principais redes sociais, na tentativa de impedir que o novo Código Florestal seja aprovado.
Segundo esse novo código a área de preservação ambiental irá diminuir e os grandes ruralistas terão anistias das multas recebidas por desmatamento.
Esse país também é seu,  junte-se a campanha, assine o manifesto.
Queremos um Brasil com florestas.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Síndrome do "QT longo"

Olá pessoal, alguém aí já ouviu falar sobre a síndrome do QT longo?
Essa é uma síndrome pouco conhecida no Brasil, por ser muito rara na população.
Trata-se de um tipo de taquirritimia ventricular que pode ser de origem congênita ou adquirida.
Há poucos meses ocorreu um caso na família da minha cunhada, sua irmã de 36 anos faleceu após um evento de estresse cardíaco. O laudo do IML apontou a causa da morte como infarte do miocárdio. Até aí não haveria grandes problemas, uma vez que muita gente pode morrer vítima de infarte. No entanto, poucos dias após o falecimento, minha cunhada foi chamada ao consultório da cardiologista que atendia a sua irmã para  maiores informações a respeito da doença que a irmã vinha tratando há alguns meses, para surpresa de todos, uma vez que ninguém sabia que ela estava em tratamento.
Enfim, minha cunhada recebeu a notícia dessa síndrome fez os exames e descobriu que possuía a mesma doença, o que era esperado pois trata-se (nesse caso) da forma congênita. Seu filho (meu sobrinho) de três anos também herdou a síndrome.
O diagnóstico é realizado através de eletrocardiogramas e ecocardiogramas que indicam um intervalo alterado da condução elétrica do miocárdio, isso faz com que ocorram taquidisrritmias ventriculares que podem provocar síncopes e em casos mais graves levar a morte súbita, em alguns casos pode estar associado a causa da surdez.
O tratamento frequentemente realizado é feito através do uso de beta-bloqueadores, marcapasso e o implante de desfibriladores automáticos.
No caso da minha cunhada e sobrinho, o tratamento empregado foi a associação de beta-bloqueadores e o uso do cardiodesfibrilador implantável (CDI).
A taxa de mortalidade para pessoas sem tratamento é elevada, no entanto, o uso de desfibriladores diminui para menos de 15% de mortalidade.
Os exames que permitem o diagnóstico variam entre R$200 e R$ 400, porém o CDI custa a bagatela de aproximadamente R$ 66.000 e este aparelho deve ser trocado a cada 5 anos. 
Por sorte, minha família tem um plano de saúde muito bom que cobre todas as despesas desse tratamento, minha cunhada já fez o implante e meu sobrinho provavelmente fará o implante amanhã no Hospital Pequeno Príncipe, aqui em Curitiba. 
Outros casos na família foram diagnosticados, a irmã da minha cunhada teve dois filhos (um menino e uma menina) e apenas um apresentou a doença, o tratamento está sendo realizado pelo SUS mas não há previsão para o processo cirúrgico para o caso dele.
Procure seu cardiologista e exija exames de eletrocardiogramas e ecocardiogramas para esta síndrome, isso pode salvar sua vida.