quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Já pensou ter um nome literalmente científico?

Não é qualquer pessoa que tem o privilégio de ver seu nome imortalizado na nomenclatura científica. Aliás, existe uma distinção no código de nomenclatura zoológica e botânica, e uma é independente da outra. Eu não vou entrar em detalhes em relação ao código de botânica porque dele eu sei muito pouco. Mas antes de apresentar as "Silvias no meio ambiente" rapidamente eu vou escrever sobre O código de nomenclatura zoológica (aqui caberia a 5ª Sinfonia de Beethoven)!
Para que serveria um código de nomes afinal? Nem sempre o óbvio é tão óbvio. E a criação de um código universal facilitou muito a vida dos cientistas, pois garantiu que não houvesse mais a presença de nomes ambíguos ou confusos. E, como eu disse nem sempre o óbvio é óbvio desde os tempos de Aristóteles (lembram? filósofo grego que viveu de 384 a.C. – 322 a.C.) vinha se tentando contruir um código universal de nomenclatura digno, com nome e sobrenome. Mas foi só no século XVIII que foi possível organizar um sistema binomial eficaz e esse sistema foi proposto por Linnaeus.
Nem tudo são flores  e vários problemas foram surgindo ao longo dos anos, como nomes incorretos, nomes que não correspodiam a características específicas e/ou que não correspondiam à pátria verdadeira da espécie. E, isso fez com que o sistema binomial de Linnaeus sofresse modificações. Atualmente o órgão que o mantém e regulamenta é a Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica.
Enfim, vamos as Silvias:
De um modo geral, podemos dizer que toda Silvia é um bichinho bonito, delicado e muito inteligente.
Em 2005, pesquisadores lá da PUC-RS em colaboração com a Universidade Católica de Goiás (UCG) e a Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (FZB/RS) identificaram uma nova espécie de cobra coral (VERDADEIRA) pertencente ao gênero Micrurus e, vejam que mimo batizaram a espécie de Micrurus silviae Di-Bernardo, em homenagem a esposa do pesquisador Silvia Di-Bernardo que também era herpetóloga (já falecida). Nesse caso o nome "Silvia" mudou para "silviae", que é uma recomendação que se faz para homenagens a mulheres. Gênero feminino termina em "ae" e masculino em "i".
Não encontrei nenhuma imagem dessa serpente então eu coloquei essa da Micrurus carallinus
Foto de Otávio Marques
Vou colocar uma listinha das silvias que eu encontrei:
Belgrandia silviae, molusco aquático pequenininho da família Hydrobiidae.
Mitra silviae, molusco da família Mitridae.

Glyptothorax silviae, é um peixe com barbilhão (que belezura) da família Sisoridae.


E as minhas favoritas que são as Silvias passeriformes, que mágico existe um gênero chamado de Sylvia  da família Sylviidae, que conta com 24 espécies uma mais linda que a outra, diminutas e charmosissimas!

Sylvia buryi; Sylvia lugens; Sylvia boehmi; Felosa-chapim-de-layard, Sylvia layardi; Felosa-chapim-dos-bosques, Sylvia subcaeruleum; Toutinegra-de-barrete-preto, Sylvia atricapilla; Felosa-das-figueiras, Sylvia borin; Papa-amoras-comum, Sylvia communis; Papa-amoras-cinzento, Sylvia curruca; Sylvia minula; Sylvia althaea; Toutinegra-do-sara, Sylvia nana; Toutinegra-gavião, Sylvia nisoria; Toutinegra-real, Sylvia hortensis; Toutinegra-do-mar-vermelho, Sylvia leucomelaena; Toutinegra-de-ruppell, Sylvia rueppelli; Toutinegra-de-cabeça-preta ou toutinegra-dos-valados, Sylvia melanocephala; Toutinegra-do-chipre - Sylvia melanothorax; Toutinegra-carrasqueira ou toutinegra-de-bigodes, Sylvia cantillans; Toutinegra-de-menetries, Sylvia mystacea; Toutinegra-tomilheira, Sylvia conspicillata; Toutinegra-do-atlas, Sylvia deserticola; Felosa-do-mato ou toutinegra-do-mato, Sylvia undata; Toutinegra-sarda, Sylvia sarda.




Sylvia nisoria Imagem do site hi is


Sylvia leucomelaena, imagens de Lior Kislev





Sylvia curruca (a minha favorita)



Bom essas são as minhas Silvias (quer dizer, as espécies que coincidentemente levam meu nome), mas possivelmente você tbém pode dar o seu nome a uma espécie é só prestar atenção nos animais a sua volta, você pode encontrar algum bicho ou planta que ainda não foi descrita, Serindipindade... lembram?

bjus e até =)

domingo, 22 de agosto de 2010

O meio ambiente animado

Boa Tarde meninos e meninas que visitam o blog Sublime Biologia, tudo bem? Estou preparando um post sobre as "Silvias" no meio ambiente e, enquanto esse post não fica pronto, resolvi colocar umas animações bem legais.
E os créditos são:
1º Estúdios Pixar: Day & Night
2º Till Novak- Delivery
3º Louis Clichy- A quoi ça sert l'amour

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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Que tal: uma salamandra com endossimbiose!

Sabe quando você tá parado no sol e alguém diz à você: Tá fazendo fotossíntese?
Bom naturalmente você deve rir porque animais vertebrados (e você é um deles) não fazem fotossíntese! Ou será que fazem?
O pesquisador Ryan Kerney da Universidade Dalhousie, em Halifax, Nova Scotia, no Canadá estudando salamandras observou que a coloração típica de Ambystoma maculatum presente desde a fase embrionária na verdade está literalmente DENTRO dos embriões, acontece o mesmo com cápsula gelatinosa que os reveste.
Como isso é possível? Esse é o caso de uma relação simbiótica entre a salamandra e uma alga unicelular Oophila amblystomatis. Calma deixa eu explicar a descoberta não é essa, VICTOR H. HUTCHISON  e CARL S. HAMMEN em 1958 publicaram a utilização de oxigênio na relação simbionte entre essa alga e a salamandra manchada, no entanto eles pensavam que a relação ocorria entre o embrião da salamandra e as algas que vivem fora dela. Contudo, as observações de Kerney mudam todo contexto da relação simbionte apresentada ateriormente por Hutchinson e Hammen, o que Kerney propõe através de evidências intracelulares é que as algas estão, geralmente, localizadas no interior das células em todo o corpo manchado das salamandras.
 Alguém pode dizer que isso não é fabuloso porque esse fenômeno de co-existência ocorre com até certa frequência em invertebrados, mas o que realmente quebra um paradigma é o fato disso ocorrer em vertebrados. O que é sim extraordinário, uma vez que o sistema imune de vertebrados reconhece como estranho tudo aquilo que não for próprio do organismo, nesse caso o sistema imune pode ter apresentado uma falha no reconhecimento o que permitiu o estabelecimento dessa relação.
A foto abaixo é da salamandra solar e a notícia completa você encontra em Nature News.

John Cancalosi/naturepl.com

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O acaso na ciência

Einstein disse certa vez que "Deus não joga dados com o Universo" ou seja o acaso não existe. Minha irmã é jornalista e eu sou biológa, logo, somos uma salada de informações úteis e inúteis e, divagar sobre a vida e os acontecimentos acaba tornando-se uma de nossas maiores diversões e, esse final de semana refletimos sobre o acaso/destino. Por exemplo digamos que eu descubra acidentalmente a cura para a doença renal crônica (DRC), trabalhar com DRC só foi possível porque eu estudei a Patofisiologia do rim e, isso só aconteceu porque eu fiz Patologia na pós graduação, que aconteceu porque eu fiz iniciação científica durante a graduação, que aconteceu porque eu conheci a minha orientadora, que eu conheci porque fazia estágio voluntário num laboratório de terapia celular, e fiz estágio lá porque um dia estava passando no corredor e notei um anúncio de seleção para estágio. O que seria isso acaso ou destino?
Para algumas pessoas essa seria a prova da força do acaso ou do destino, para nós (minha irmã e eu) seria apenas serendipidade. Essa palavra é um neologismo de uma expressão que vêm do inglês "serendipity" que refere-se à coincidências ou descobertas aparentementes feitas ao acaso. 
O cientista francês Louis Pasteur, famosissimo por sinal, conhecido como pai da microbiologia costumava dizer que "O acaso só favorece a mente preparada". Essa na minha humildade opinião é a melhor definição para a expressão serendipidade. E o melhor exemplo disso vêm mesmo da ciência:
Lei da gravitação universal: certo dia estava o Sir. Isaac Newton descansando embaixo de uma frondosa macieira quando de repente uma daquelas frutas caí-lhe sobre a cabeça e num golpe do destino o Sir Isaac saí de seu estado contemplativo da natureza e pensa: por que ao invés da maçã flutuar, ela caiu?
Senhores, não sei se a história acima é verdadeira, mas é fato Isaac Newton era físico, matemático (lembram do binômio de newton?), astrônomo, alquimista, teólogo (lembram da Rosa Cruz?) e filósofo. Estudou e lecionou em Cambridge, foi um dos precursores do Iluminismo e dedicou a vida a procura do esclarecimento científico. Se a história da maçã fosse mesmo real mas tivesse caído sobre a minha cabeça, por exemplo, eu teria soltado um palavrão, limparia a maçã e a comeria, porque eu não tenho conhecimentos profundos em física. Contudo, sobre a cabeça de Newton a queda da maçã foi o estopim para a criação de uma lei que explica um dos fenômenos mais importantes do universo.
Heparina: Em 1916, um estudante de medicina, Jay McLean, que investigava substâncias tromboplásticas diferentes da cefalina, encontrada no cérebro, encontrou em um extrato de tecido hepático, uma substância capaz de retardar a coagulação do plasma.
Descoberta do planeta Urano: Frederick William Herschel, estudava cometas com um telescópio (no fim do século XVIII)  quando percebeu um novo objeto que a princípio julgou ser uma estrela ou um cometa. Mas observando com mais cuidado e com a ajuda de um amigo e astrônomo Anders Johan Lexell concluiu que o objeto percorria uma órbita planetária além de Saturno. Galileu Galilei anterioramente também havia percebido a "estrela" que o Herschel  anos mais tarde chamaria de Urano mas acreditou, óbvio, que a estrela não havia mudado de posição e sim que havia errado em seus cálculos.
Mas a história mais curiosa seria a de que o pai de Alexander Fleming, um jardineiro, teria salvo do afogamento um menino chamado Winston Churchill, filho de um Lord Inglês membro da Câmara Alta do parlamento inglês. Grato, o pai de Winston quis recompensar seu empregado, que se surpreendeu com o pedido do mesmo: pediu que desse ao menino, Alexander, a mesma educação que fosse dada ao seu próprio filho. Anos mais tarde, Alexander Fleming, tornou-se bacteriologista do St. Mary's Hospital, de Londres, e já há algum tempo vinha pesquisando substâncias capazes de matar ou impedir o crescimento de bactérias em feridas infectadas. Em setembro de 1928 Fleming esqueceu algumas placas com culturas de estafilococos sobre a mesa e saiu de férias, quando voltou observou que algumas das placas estavam contaminadas com fungo e notou um halo transparente em torno do mofo contaminante,que impedia o crecimento de bactérias, tratava-se de um fungo do gênero Penicillium e daí penicilina. Durante a Segunda Guerra Mundial Winston  Churchil ficou muito doente e foi submetido ao tratamento com penicilina. Churchill havia sido salvo da morte pela segunda vez e por um membro da mesma família Fleming.
O próprio Alexander Fleming negou a versão do salvamento heróico, mas a história da descoberta da penicilina é mesmo verdadeira.
Enfim, Camila e eu não fomos muitos longe de onde estávamos e, como era de se imaginar concluímos que a ciência não é composta por acasos e sim, por mentes que preparadas enxergam no cotidiano grandes oportunidades.
Um beijo e até ;)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

o Blog do lab

Hoje estava indo à biblioteca devolver alguns livros quando encontrei no corredor a minha orientadora. Vocês devem saber que os orientadores possuem um GPS para encontrar os seus alunos nas horas mais oportunas. Ela me perguntou que livros eu estava lendo, eu disse a ela que eram livros de ecologia que eu frequentemente lia para ajudar a escrever posts interessantes no blog (que é esse aqui no qual você está). Não sei porque cargas d' água eu tentei justificar a leitura que nada tinha a ver com a pesquisa do laboratório, aí ela riu e disse: Silvinha por quê você não faz um blog sobre o nosso laboratório?
Hã? como assim um blog sobre o nosso laboratório?
Daí ela soltou a frase derradeira: Já que vc estuda para escrever no blog de ecologia que você não tem muito contato, poderia começar a publicar coisas que você e o pessoal do laboratório estudam diariamente!
Fiquei meio na dúvida se foi uma indireta para eu estudar mais ou se foi uma sugestão mesmo para criação de um blog. É difícil entender a complexidade dos pensamentos dos Professores Pós Doutores que afetuosamente chamamos de CHEFES.
Ela então disse que havia um pesquisador do grupo INCT-REDOXOMA, do qual ela faz parte, que mantinha um blog assim como o meu e, que os alunos dele ajudam a manter o blog ativo e o nome desse pesquisador é Marcelo Hermes Lima.
Assim que eu cheguei em casa, procurei no site do INCT o professor Marcelo e o blog dele, para minha feliz surpresa, eu descobri que ele é blogueiro mesmo, blogueiro de verdade e inclusive alguns já devem até ter visitado a página Ciência Brasil.
Bom eu vou conversar com os meus caros colegas e perguntar se eles topam produzir um blog voltado para o estudo de processos redox e de neurociências. Se eles aceitarem em breve estarei divulgando o endereço aqui no blog.
Se alguém quiser sugerir um tema para o próximo post, pode enviar para o meu email silvynnha@hotmail.com, é muito legal quando vocês participam, faz com que eu sinta que não estou escrevendo para o hiperespaço!
Na verdade eu queria entrevistar o biólogo Louri Klemann Jr. mas não sei se ele vai querer falar comigo, eu vou tentar uns contatos imediatos com pesquisadores da biologia da conservação, ok?
Bom final de semana a todos que visitam o blog Sublime Biologia, muito obrigada mesmo ;)
bjo bjo bjo



segunda-feira, 2 de agosto de 2010

só para rir

Hoje fez frio o dia todo em Curitiba, para variar, e enquanto o sol não volta a brilhar por aqui: