sábado, 22 de junho de 2013

Saga por um orientador, parte II

Retomando o último post, se encontrar um bom orientador no Brasil já não é uma tarefa fácil imaginem então como é sair através da internet procurando um "Mago dos Mestres" no exterior.
Em primeiríssimo lugar é necessário ter em mente o que você quer buscar profissionalmente, pois uma coisa é fato, aqui no Brasil o Mestrado direciona o aluno para dar aula e inicia ele na pesquisa, no entanto, isso não ocorre frequentemente em outros lugares do mundo.
A maioria dos grandes centros direcionam o aluno desde a graduação e, assim a pós graduação é dividida em Doutorado e Pós Doutorado. No Doutorado (geralmente) decidimos qual será nossa linha de atuação como cientistas, então escolher um bom curso, uma boa universidade, um bom orientador é crucial para nossa carreira científica, pois é no Doutorado que conseguiremos consolidar uma pesquisa, produzir artigos, aumentar nossa rede de colaboração com outros pesquisadores. Tudo isso é de muita importância para as agências de fomento à pesquisa, as quais cedo ou tarde todos nós cientistas iremos submeter nossos projetos em prol da ciência. Uma moeda de troca um pouco injusta, quanto maior a produção científica maior é o financiamento de um projeto, contudo, maior produção científica não significa maior qualidade e ainda, trabalhar muito não significa produção científica alta.
Mas como estamos no Brasil, no Mestrado direcionamos nossa pesquisa, no meu caso eu sou Mestre (super chique, ser Mestre) em Patologia, Microbiologia e Parasitologia, como eu já havia dito em outros posts eu aprofundei meus conhecimentos no estudo de doenças renais. No Doutorado eu preciso necessariamente trabalhar com rim? NÃO! Isso é mais que óbvio, mas seria significativamente interessante se a pesquisa permeasse esse tema, afinal a produção de papers TENDE (mas não é uma regra) a ser maior quando se estuda o mesmo assunto com focos diferentes.
Então vejamos, uma vez que eu tenha escolhido uma linha de pesquisa teoricamente eu sei onde procurar um orientador. Procurei nos artigos, em que li, os pesquisadores que trabalhavam com o mesmo assunto que eu, ou nos locais indicados pelo CNPQ, como fonte de pesquisa Pubmed e The World University Rankings. Da grande maioria de pesquisadores com quem entrei em contato um outro respondeu meu email com um texto vago ou com um não bem direto.
Como não obtive inicialmente a resposta que eu gostaria, comecei a procurar centros de Pesquisa, entrei em contato com inúmeros e a minha cabeça começou a fervilhar em ideias. E em cada site que eu entrava uma fogueira de esperança tomava conta do meu coração.
Algo que eu já esperava aconteceu, alguns pesquisadores me responderam, e aí minha gente, a decepção deu lugar a realidade. A primeira barreira que eu encontrei foi o meu curriculum. Pois é, procurar um grande centro no exterior além de não ser tão simples requer um curriculum atraente e quando eu digo atraente eu quero dizer cheio de artigos, que é a nossa moeda de troca (como mencionado acima).
Enfim, a dura realidade das Universidades brasileiras é que elas preparam o aluno para o mundo, mas não oferecem ao aluno o que ele mais precisa PRODUÇÃO CIENTÍFICA. Tudo bem que isso não é o fim do sonho, mas é uma pedrinha no nosso sapato sim. 
Algo que eu não esperava também aconteceu, depois de receber um SIM maravilhoso, eu fui procurar como obter uma bolsa de estudos e para minha surpresa foi que a bolsa oferecida pelo CNPQ, através do Ciência sem Fronteiras favorece principalmente estudantes de graduação, mas para um estudante de pós graduação é muito complicado viver com $1300. Essa bolsa oferecida para formação dos cientistas brasileiros tem de ser suficiente para: comer, morar, estudar, se vestir, se deslocar da sua casa até a Universidade ou Centro de Pesquisa, comprar remédio e etc.
Os grandes Institutos de Pesquisa além do curriculum pedem um estágio prévio de pelo menos 1 mês no laboratório de interesse, além de uma prova oral para avaliação do Inglês, acho justo. Em troca eles oferecem uma bolsa própria e o sonho de se tornar um grande pesquisador.
E isso é só o começo.









sábado, 4 de maio de 2013

Saga por um orientador- Parte I

Esses dias eu recebi um email de um visitante elogiando a página aqui do Sublime Biologia, entre outras coisas ele comentou que era uma pena o blog estar desativado. Então, pensando em aproveitar melhor o tempo livre que eu tenho, resolvi compartilhar com vocês minha saga em busca de um Orientador.
Para quem acompanhou a criação desse blog, deve se lembrar que eu o construí ainda durante o período da graduação, no início o blog tinha a intenção de discutir ou apenas informar temas que estivessem relacionados a Biologia da Conservação, com o tempo os assuntos foram ficando mais variados e a ideia inicial transformou-se em um "Bioloblog". 
Terminei a graduação, passei num Programa de Mestrado, concluí um projeto relacionado a estresse oxidativo e doenças degenerativas, publiquei um artigo, dei aulas de biologia e química numa escola pública e então, finalmente arrumei um emprego. 
É claro que entre eu concluir a graduação e arrumar um emprego, três longos e intermináveis anos de estudo, sofrimento e muita dedicação permearam meus dias e noites até chegarmos aqui (dia 04/maio/2013)  no ponto onde eu começo a transformar novamente a cara desse blog.
Para resumo dessa ópera, eu dediquei 6 anos da minha vida ao estudo da Patologia Renal e hoje eu trabalho no Laboratório de Imunologia de Transplantes com adivinha o que? Com RINS!!!
Para algumas pessoas ser bem sucedido na vida é uma tarefa fácil, mas para pessoas como eu é praticamente impossível sem dedicação, estudo e paciência.
Eu tenho o emprego dos sonhos de muita gente, eu não sou uma bióloga ryca (existe isso?) mas eu trabalho com o que eu gosto, ganho "relativamente" bem, tenho bons colegas de trabalho, estudo diariamente e tenho tempo livre para sair, me divertir e me aventurar num relacionamento amoroso desastroso com a mesma pessoa de sempre.
Eu poderia estar satisfeita com isso, mas eu sinto falta de algo a mais, e esse algo a mais tem nome e chama-se Doutorado.
O problema é que eu não quero simplesmente um título, eu quero ganhar o Nobel de Medicina no estudo de Insuficiência Renal. Mas para isso eu preciso sair em busca de um Orientador, um Mestre dos Magos!
O Brasil oferece através do Programa Ciência sem Fronteiras uma oportunidade de jovens pesquisadores conhecerem grandes centros de pesquisa fora do nosso país e em troca trazer conhecimento e tecnologia ao desenvolvimento nacional.
Seria perfeito se fosse mais simples, para por em prática essa "ferramenta" do nosso governo é necessário em primeiríssimo lugar um termo de um aceite assinado por um orientador, aceitando o projeto e o pesquisador como aluno.
E aí meus amigos é que começa a minha sina.
No próximo capítulo dessa história, eu vou contar como foi, ou melhor como está sendo a primeira fase dessa busca: A REJEIÇÃO!
Beijos e até o próximo post.