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sábado, 6 de agosto de 2011

Desafios Éticos da Crise Ecológica [palestra Leonardo Boff]

Na última quarta-feira dia 04/08, a Universidade Federal do Paraná promoveu um encontro na Reitoria com o filósofo Leonardo Boff. Reconhecido internacionalmente por trabalhar em defesa das causas sociais (relacionado principalmente à Teologia da Libertação), nos últimos anos tem se dedicado também ao debate relacionado às questões ambientais.
Baseado no termo criado por Paul Crutzen, ganhador do Prêmio Nobel de Química, Boff (bem como centenas de outros cientistas) acredita que estejamos vivendo uma nova fase geológica, denominada "Antropoceno" a qual considera as atividades antropológicas tão influentes que foram capazes de criar um impacto global sobre os ecossistemas do planeta e, através desse impacto causar a 6ª maior extinção de espécies que a Terra conheceu desde a sua origem.
Só para recordar: A primeira extinção em massa foi causada no Proterozoico com o advento do oxigênio que colocou fim em milhares de centenas de bactérias anaeróbias. A maior de todas as extinções ocorreu no período Permo-Triássico há 250 milhões de anos com a separação do Pangeia e deriva dos continentes. Esse evento resultou em 90% de perda de todas as espécies viventes na Terra, a causa mais provável tenha sido a liberação do gás metano (extremamente tóxico, chegando a ser considerado 23 vezes mais tóxico que o dióxido de carbono) consequência das erupções vulcânicas, somado a alteração dos habitats e ao efeito estufa que aumentou cerca de 5 graus a temperatura do planeta. E, há 65 milhões de anos houve a segunda maior extinção em massa já no período Cretáceo que ocasionou 30% de todas espécies animais incluindo os grandes répteis.
Desde o Neolítico a intervenção humana vêm sendo responsável pela perda em média de 250 mil espécies por ano e, por isso somos responsáveis como escrito acima pela 6ª maior extinção em massa, lembrando que as extinções anteriores foram eventos naturais ocorridos entre Eras Geológicas e responsáveis, em parte, pela evolução das espécies no nosso Planeta.
Para Leonardo Boff o ritmo de progresso e o aumento do consumo serão responsáveis pela nossa própria extinção e aqui estão alguns dos exemplos que indicam esse fim: escassez dos recursos naturais, crise causada pelo agronegócio, perda da biodiversidade, aumento do aquecimento global que ocasiona o derretimento das calotas terrestres e do metano liberado dos solos congelados (parmafrost) principalmente dos solos da Sibéria.
Em média uma espécie tende a perdurar cerca de 5 milhões de anos. Se considerarmos a origem da primeira família humana teríamos ultrapassado 7 milhões de anos, agora se consideramos como espécie apenas o Homo sapiens sapiens, que é a forma mais evoluída do Homo sapiens, aí teríamos menos de 50 mil anos, bem isso é questionável porque os paleontólogos discordam em relação a data de origem que varia entre 12 mil e 40 mil anos de existência. Indiferentemente a data de origem somos uma espécie relativamente nova e causamos tanto impacto sobre a Terra que seremos responsáveis pelo nosso próprio extermínio.
Mas será que existe uma forma de frear o nosso processo de extinção?
Para a Astrobiologia, ciência que estuda a vida no universo, o planeta Terra é um super organismo vivo que é autorregulado. Isso nos remete à hipótese de Gaia pela qual os organismos da biosfera e os componentes físicos da Terra estão intimamente conectados formando um complexo sistema interagente que mantêm em equilíbrio dinâmico as condições capazes e responsáveis pela manutenção da vida no planeta.
Dessa forma o ser humano passa de simples ocupante de espaço à elo, elo da cadeia ecológica. 
Boff acredita que devemos re-fundar o conceito da ética, dando uma dimensão mais profunda do ser humano. O que vemos hoje como "crise econômica da nova ordem mundial" é resultado da crise da civilização humana, pois não percebemos completamente a finitude do capital material e por isso somos guiados por uma necessidade absurda de consumo e vivemos sentimentos efêmeros por tudo o que nos rodeia.
Para que haja uma mudança na ordem social, principalmente na mudança de como enxergamos o meio ambiente e  os mais pobres do nosso planeta é imprescindível o resgaste da razão sensível, que é diferente da razão lógica, esta nos individualiza, aquela nos dirige à dimensão maior do sentido da vida, como diz Leonardo Boff  "somos filhos e filhas do cuidado, mamíferos racionais".
O desenvolvimento espiritual do ser humano parece ser um  dos alicerces para essa mudança e aqui eu ressalto que o desenvolvimento espiritual não está relacionado necessariamente com religiosidade e sim com transcendência.
Friedrich Hegel disse: "O ser humano aprende com a história que nada se aprende com a história, aprende tudo do sofrimento". Espero que ele esteja enganado e que nós possamos mudar nosso relacionamento com o meio ambiente.
Vamos refletir sobre o assunto e nos unir em busca de uma mudança global de pensamento.
Bjão e até a próxima ;)





sábado, 1 de janeiro de 2011

Feliz Ano Novo

Feliz Ano Novo à todos os visitantes do Blog Sublime Biologia.
Vamos comemorar em 2011 "O Ano Internacional das Florestas" e aqui cabe ressaltar que durante todo esse ano além de muita informação a respeito das florestas ao redor do planeta serão abordados pelo Blog temas relacionando a sensível e profunda conexão que existe entre as florestas e os povos que dela dependem.
O vídeo abaixo fala sobre da importância da conscientização da sociedade sobre a preservação e conservação das florestas para uma vida sustentável. 
Por quê? 
31% da área total do planeta é recoberta por florestas;
36% da área florestal é composta por mata virgem (também conhecida como clímax ou formação primária e implica dizer que a ação humana não causou grandes ou significativas alterações em suas características originais);
1,6 bilhão de pessoas dependem das florestas para sua subsistência;
80% da biodiversidade terrestre está localizada no interior das florestas;
A comercialização de produtos naturais obtidos através da exploração da sua biodiversidade movimentou cerca de $324 bilhões de dólares no ano de 2004;
300 milhões de pessoas vivem (tem moradia) nas florestas;
30% das florestas são utilizadas para produtos com fins madeireiros e não madeireiros. (Fonte: ONU)
É rapaziada a gente tem assunto para o ano todo. 
um abraço e até mais





quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Projeto SciELO de Biodiversidade

Boa tarde caríssimos, tudo bem?
Como já mencionado anteriormente 2010 foi o ano escolhido pela UNESCO como Ano Internacional da Biodiversidade. Ao redor do planeta aconteceram e ainda estão acontecendo conferências, palestras, cursos, simpósios e etc, que visam a divulgação de material de apoio científico (ou não) à causa da Conservação e Proteção da Natureza. 
Existem algumas bibliotecas eletrônicas que organizam artigos relacionados a diferentes temas e de diferentes jornais. Na maioria das vezes o acesso a determinado artigo acaba sendo limitado apenas à visualização do resumo, porque 90% dos artigos científicos não são de acesso livre. Algumas plataformas disponibilizam artigos que podem ser baixados na forma .pdf inteiramente gratuitos, algumas delas: Acesso livre periódicos CapesPlosOneA Scientific Electronic Library Online Brazil(SciELO), sendo que essa última faz parte do projeto FAPESP/BIREME/CNPq que visa a ampliação de acesso a coleções de periódicos. Ontem (01 de dezembro) a SciELO lançou uma novidade que consiste numa rede de bibliotecas de diferentes instituições de ensino e pesquisa (nacionais) com o objetivo de fortalecer o desenvolvimento da cultura da Biodiversidade.
Sensacional, não acham? Se você ficou curioso clique no título dessa postagem que você será direcionado para a página da biodiversidade SciElo.
Acessem, baixem artigos, leiam, se informem e divulguem essa iniciativa que é tão maravilhosa!!!
Um beijo no coração e xauxau 



segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Libélulas, para que te quero?

Quando eu era criança (e isso já faz muito tempo) na cidadezinha onde eu morava (Faxinal, interior do Paraná) eu conhecia esse bichinho por outro nome: Lava-bunda, porque ele tem por hábito sobrevoar rios e lagoas tão rente à superfície da água que realmente parece que está se lavando. Eu as achava lindas, coloridas, delicadas e anos depois nas aulas de inglês no ensino médio "Dragonflies" fazia todo sentido, porque elas realmente pareciam dragões.
A libélula pertence a Ordem Odonata que por sua vez pertence a Classe Insecta que pertence ao Filo Arthropoda que pertence ao Reino Animalia. Parece confuso, mas é bem simples graças à classificação taxonômica mas isso é outra história. Os insetos da Ordem Odonata são hemimetábolos, ou seja, com metamorfose incompleta sendo as larvas aquáticas e a forma adulta terrestre que possui muita agilidade em executar vôos. Para oviposição esses insetos muitas vezes procuram bromélias utilizando a água que fica acumulada entre as folhas e, esse ambiente é apropriado para o desenvolvimento das larvas.
Muito se engana quem pensa que o papel desse animalzinho na natureza é pequeno. Para quem ouve voracidade e logo lembra de animais grandes, para vocês eu digo meus amigos, que a libélula tem um apetite voraz é uma exímia predadora chegando a consumir cerca de 15% do seu peso (em um único dia) apenas alimentando-se de outros invertebrados e por isso ela realiza um controle biológico invejável, tanto é verdade que parte da sua alimentação é feita com o conhecido mosquito transmissor da dengue, Aedes aegypti, por outro lado ela também fornece um nutritivo cardápio para pássaros, anfíbios e aracnideos.
As libélulas atuam como importantes bioindicadores da qualidade ambiental, por quê? Porque elas são capazes de perceber pequenas alterações no ambiente (que podem ser água ou ar), como mudança de pH, agentes químicos, quantidade de oxigênio dissolvido (ou ausência dele) impedindo a eclosão das larvas e no caso dos insetos adultos essas alterações funcionam como repelentes naturais.
E apesar do papel importante que esses animais tem no equilíbrio da natureza eles estão ameaçados de extinção.
As principais causas de extinção adivinhem???????
Acertou quem pensou em: fragmentação e redução do habitat natural. 
A degradação ambiental é o nosso grande problema. A conservação das espécies está diretamente associada a proteção dos ecossistemas e não há nada que evite extinções em massa sem que sejam feitos investimentos em pesquisas para conhecimento da ecologia das espécies. E o Brasil precisa muito mais muito investir em pesquisa e conservação.
Despeço-me de vocês desejando a todos uma ótima semana e vamo que vamo =)
Um beijo e xauxau ;)





sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Água, Planeta Água (Blog Action Day 2010)





Caríssimos leitores, como eu havia mencionado anteriormente, hoje milhares de blogueiros ao redor do mundo estarão reunidos virtualmente publicando em suas páginas pessoais todo o tipo de informação relacionado ao tema "água".
A molécula da água (H2O) é composta por um átomo de oxigênio e dois átomos de hidrogênio que formam uma estrutura dipolar e é graças a essa estrutura que as moléculas de água atraem e são capazes de dissolver mais substâncias que qualquer outro líquido que se tenha notícia, por isso a água é conhecida como solvente universal.
Vocês sabiam que 3/4 da superfície total da Terra são recobertos por água? Algo em torno de 1,5 bilhões de km3 de água em todo o planeta divididos em oceanos, rios, lagos, lençóis subterrâneos e geleiras.
Os riachos e rios possuem somente 0, 006% da água mundial, no entanto levando-se se em conta a água doce própria para consumo aí essa proporção ganha uma relevância significativa. Os oceanos constituem a principal fonte de água (97,3%) do nosso planeta.
Não é preciso dizer que a água é um recurso essencial para a sobrevivência e por isso políticas de sustentabilidade são super importantes. Mesmo sabendo que a água (doce) é um recurso natural esgotável o uso indiscriminado tem só aumentado nos últimos anos. Embora sejamos tentados a acreditar que somos uma espécie especial, do tipo superior, somos na verdade todos animais e, dispomos e utilizamos dos mesmos recursos para nossa sobrevivência. Contudo, os impactos causados sobre o meio ambiente a partir da nossa má utilização dos recursos podem ser cruciais para extinção de milhares de outras espécies.
Ao longo do século XX o consumo de água subiu de 1 trilhão para 4 trilhões de litros por dia e o desafio do século XXI é reduzir o desperdício através de uma ação global do consumo consciente. Mas como a gente poderia explicar um gasto de água tão exorbitante? Bem, a agricultura é responsável por 65% do gasto total de água, a indústria por 25% e o uso doméstico por 10%. Levando-se em conta que a população mundial cresce em função exponencial podemos imaginar que mais terras serão desmatadas para o plantio de mais alimentos e o consumo de água irá aumentar. E isso é um senhor problema, sabe por quê?
Segundo um levantamento feito pela ONU e divulgado na Conferência sobre a água realizada no início desse ano chegou-se a conclusão de que literalmente estamos em crise.
Estima-se que cerca de 250 milhões de pessoas distribuídas em 26 países, já enfrentam escassez crônica de água. O que gera uma preocupação bastante relevante em relação ao risco de uma escassez global de água.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) alertou que 1,8 milhões de crianças com menos de cinco anos morrem todo ano por doenças causadas pela água principalmente por não possuírem condições sanitárias adequadas, o que equivale à média de uma criança a cada 20 segundos.  O PNUMA ainda alertou que desde 1970 o número de espécies que vivem em águas de rios, lagos e lençóis subterrâneos foi reduzido pela metade.
A União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN) também divulgou que 1/5 das espécies africanas de peixes de água doce está ameaçado de extinção. Os fatores são diversificados em agricultura, barragens, extração de água, espécies invasoras e representam 21 % da causa de ameaças as populações. Porque os ambientes como o próprio nome diz são parte de um sistema, uma rede que está interconectada e cada nó que é desatado leva a um declínio do equilíbrio dinâmico que existe na natureza.
Um post é muito pouco para um assunto tão complexo, acho que seria interessante tratar do assunto em etapas para que haja um esclarecimento mais adequado a respeito da nossa responsabilidade em manter o planeta água com água para nós, para o meio ambiente e para as futuras gerações.
Críticas, sugestões e/ou perguntas?
Aberta a sessão fala que eu te explico =)
Só para constar essa imagem linda é lá do Marumbi ;)
Bjos a todos =*

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Blog Action day 2010


Está chegando a data em que milhares de pessoas ao redor mundo em um evento anual realizado a cada 15 de outubro, se unem na postagem sobre o mesmo assunto no mesmo dia, com o objetivo de provocar uma discussão global e condução da ação coletiva. Esse evento é conhecido como "Blog Action Day" e o tema escolhido para discussão esse ano é "água".
E por que água? Talvez você não saiba, mas 1 em cada 8 pessoas no nosso planeta vive em condições sanitárias inimagináveis sem possuir qualquer tipo de acesso à água potável para consumo. O tema água é muito mais abrangente que apenas uma questão social é uma questão ambiental também e, por isso peço que você leitor ajude a divulgar essa idéia.
Participe comigo no dia 15 de outubro promovendo, divulgando e dando sua opinião a respeito dessa questão.
Vamos juntos conscientizar o máximo de pessoas a cerca do consumo e da utilização desse bem natural.
abraços e até 15 de outubro!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Ô bicho lindo =)

O título original era para ser "nós (ainda) temos a suçuarana" mas eu achei muito dramático. Mas enfim, caríssimos leitores, tudo bem?
Vocês sabiam que a patologia foi minha segunda opção? Pois é, a primeira opção tinha sido mastozoologia, mas não consegui um orientador que trabalhasse aqui em Curitiba com conservação e grandes mamíferos. Aí aos poucos a ecologia foi se afastando, dando lugar a ambientes mais inóspitos como o estresse oxidativo e às doenças degenerativas. Às vezes isso me deixa bastante melancólica. 
Mas eu vim aqui para escrever sobre a suçuarana e não para reclamar.
O nome de batismo da nossa "onça-parda" é Puma concolor (Linnaeus, 1771). Tem ampla distribuição nas Américas da região oeste do Canadá até a Patagônia. No Brasil ocorre em todos os estados. O fato dela estar distribuída em todos os estados não a torna menos vulnerável a extinção. 
A suçuarana  é o segundo maior felino do Brasil, perde só para onça-pintada (Panthera onca, por sinal belíssima). Uma vez o professor Maurício Savi disse que o urro de uma onça-pintada é um alerta, porque ela realmente é um animal que impõe respeito mesmo, ele dizia que quando você ouve esse "brado retumbante" você tem duas alternativas: correr ou correr mais que a pessoa que esteja do seu lado. O problema da onça-parda é que você não tem muita alternativa no quesito correr, porque diferente da pintada a parda não avisa, porque ela não urra. Na verdade ela até atrai, porque o som que ela produz é semelhante aquele que a gente ouve do gato doméstico. Contudo, fica a dica, na floresta não tem gato doméstico.
A sua pelagem  pode variar do amarelo claro ao avermelhado, possui uma pequena cabeça quando comparada ao resto do corpo e tem um focinho rosado e os olhos bem claros.A "suçu" delimita grandes territórios para sua alimentação e reprodução, que são marcados através arranhões no solo, nas árvores, marcações com xixi e através de sinais sonoros. Apesar de ter um rosto muito dócil, tem um padrão social solitário, embora os machos costumam ter um harém de fêmeas (típico). É um felino de hábito preferencialmente noturno. Contudo durante o dia possui uma vida relativamente ativa. 
Exímio predador, alimenta-se de roedores, pequenos mamíferos, cervos, ovelhas e até veados. 
O período de gestação pode variar entre 82 e 96 dias. Os filhotes permanecem com a mãe por cerca de 1 ano e meio. 
Com certeza a principal ameaça à onça parda é a redução do habitat. A caça também representa um problema. Para que haja uma preservação da espécie é necessário que os ecossistemas também sejam preservados e aqui senhores existe um problema sério no nosso país. Cada dia a diminuição do habitat condena mais e mais espécies.





Ficha técnica:
Habitat: florestas, cerrado, pantanal e a caatinga;
Hábito: Noturno;
Longevidade: até 20 anos em cativeiro;
Tamanho: 1,70 a 2,20 m;
Peso: 40 a 70 kg (depende se for macho ou fêmea);
Categoria de Ameaça: Vulnerável
Causas de extinção: caça e redução de habitat.



Esse video eu peguei no youtube mas o site original com outros videos incríveis é esse aqui untamed amazonia, espero que vocês assistam e gostem.
um abração  ;)

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Já pensou ter um nome literalmente científico?

Não é qualquer pessoa que tem o privilégio de ver seu nome imortalizado na nomenclatura científica. Aliás, existe uma distinção no código de nomenclatura zoológica e botânica, e uma é independente da outra. Eu não vou entrar em detalhes em relação ao código de botânica porque dele eu sei muito pouco. Mas antes de apresentar as "Silvias no meio ambiente" rapidamente eu vou escrever sobre O código de nomenclatura zoológica (aqui caberia a 5ª Sinfonia de Beethoven)!
Para que serveria um código de nomes afinal? Nem sempre o óbvio é tão óbvio. E a criação de um código universal facilitou muito a vida dos cientistas, pois garantiu que não houvesse mais a presença de nomes ambíguos ou confusos. E, como eu disse nem sempre o óbvio é óbvio desde os tempos de Aristóteles (lembram? filósofo grego que viveu de 384 a.C. – 322 a.C.) vinha se tentando contruir um código universal de nomenclatura digno, com nome e sobrenome. Mas foi só no século XVIII que foi possível organizar um sistema binomial eficaz e esse sistema foi proposto por Linnaeus.
Nem tudo são flores  e vários problemas foram surgindo ao longo dos anos, como nomes incorretos, nomes que não correspodiam a características específicas e/ou que não correspondiam à pátria verdadeira da espécie. E, isso fez com que o sistema binomial de Linnaeus sofresse modificações. Atualmente o órgão que o mantém e regulamenta é a Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica.
Enfim, vamos as Silvias:
De um modo geral, podemos dizer que toda Silvia é um bichinho bonito, delicado e muito inteligente.
Em 2005, pesquisadores lá da PUC-RS em colaboração com a Universidade Católica de Goiás (UCG) e a Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (FZB/RS) identificaram uma nova espécie de cobra coral (VERDADEIRA) pertencente ao gênero Micrurus e, vejam que mimo batizaram a espécie de Micrurus silviae Di-Bernardo, em homenagem a esposa do pesquisador Silvia Di-Bernardo que também era herpetóloga (já falecida). Nesse caso o nome "Silvia" mudou para "silviae", que é uma recomendação que se faz para homenagens a mulheres. Gênero feminino termina em "ae" e masculino em "i".
Não encontrei nenhuma imagem dessa serpente então eu coloquei essa da Micrurus carallinus
Foto de Otávio Marques
Vou colocar uma listinha das silvias que eu encontrei:
Belgrandia silviae, molusco aquático pequenininho da família Hydrobiidae.
Mitra silviae, molusco da família Mitridae.

Glyptothorax silviae, é um peixe com barbilhão (que belezura) da família Sisoridae.


E as minhas favoritas que são as Silvias passeriformes, que mágico existe um gênero chamado de Sylvia  da família Sylviidae, que conta com 24 espécies uma mais linda que a outra, diminutas e charmosissimas!

Sylvia buryi; Sylvia lugens; Sylvia boehmi; Felosa-chapim-de-layard, Sylvia layardi; Felosa-chapim-dos-bosques, Sylvia subcaeruleum; Toutinegra-de-barrete-preto, Sylvia atricapilla; Felosa-das-figueiras, Sylvia borin; Papa-amoras-comum, Sylvia communis; Papa-amoras-cinzento, Sylvia curruca; Sylvia minula; Sylvia althaea; Toutinegra-do-sara, Sylvia nana; Toutinegra-gavião, Sylvia nisoria; Toutinegra-real, Sylvia hortensis; Toutinegra-do-mar-vermelho, Sylvia leucomelaena; Toutinegra-de-ruppell, Sylvia rueppelli; Toutinegra-de-cabeça-preta ou toutinegra-dos-valados, Sylvia melanocephala; Toutinegra-do-chipre - Sylvia melanothorax; Toutinegra-carrasqueira ou toutinegra-de-bigodes, Sylvia cantillans; Toutinegra-de-menetries, Sylvia mystacea; Toutinegra-tomilheira, Sylvia conspicillata; Toutinegra-do-atlas, Sylvia deserticola; Felosa-do-mato ou toutinegra-do-mato, Sylvia undata; Toutinegra-sarda, Sylvia sarda.




Sylvia nisoria Imagem do site hi is


Sylvia leucomelaena, imagens de Lior Kislev





Sylvia curruca (a minha favorita)



Bom essas são as minhas Silvias (quer dizer, as espécies que coincidentemente levam meu nome), mas possivelmente você tbém pode dar o seu nome a uma espécie é só prestar atenção nos animais a sua volta, você pode encontrar algum bicho ou planta que ainda não foi descrita, Serindipindade... lembram?

bjus e até =)

domingo, 18 de julho de 2010

Brasil comemora 10 anos do SNUC!

Bom dia caro leitor, hoje (18/07/2010) o Brasil comemora 10 anos da criação da Lei Nº 9.985, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC). Através desse sistema o país tenta fortalecer um programa de gestão integrada de áreas protegidas nas esferas federais, estaduais e municipais.
Desde a sua criação em 2000 o SNUC já promoveu a formação de 378 unidades de conservação em todo o país.
Segundo essa Lei entende-se por Unidade de Conservação: "espaço ambiental e seus recursos ambientais incluindo as águas juridicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção... ". Como todo bom biólogo eu também tenho um livro de Direito Ambiental que fica aqui do ladinho do meu pc, sempre disponível quando eu tenho qualquer dúvida em relação a legislação, muito embora eu não atue na área ambiental.
Em linha gerais podemos dizer que o estabelecimento do SNUC aponta um salto qualitativo do Brasil em relação às áreas de proteção ambiental, isso caracteriza uma busca à conservação da biodiversidade a longo prazo.
As Unidades de Conservação (UC's) integrantes do SNUC foram divididas em duas grandes categorias com caracteríticas específicas e distintas: Unidades de Proteção Integral, cujo objetivo é a preservação da natureza e como o nome ja diz é de uso integral e NÃO podem ser utilizadas pelo homem com fins de habitação. É proibida a visitação pública, exceto aquela com objetivo educacional, seu uso é restrito à atividade de pesquisa, visitação ou turismo ecológico de acordo com a categoria em que a unidade de conservação se encaixar; são elas: Estação Ecológica, Reserva Biológica, Parque Nacional, Monumento Natural e Refúgio da Vida Silvestre; e Unidades de Uso Sustentável: prevê a conservação da natureza e uso sustentável de parte dos recursos naturais disponíveis em regime de manejo, essas UC's permitem o estabelecimento de moradias e  pertencem a esse grupo as categorias: Área de Proteção Ambiental (a famosa e controversa APA), Área de Relevante Interesse Ecológico, Floresta Nacional, Reserva Extrativista, Reserva de Fauna, Reserva de Desenvolvimento Sustentável e Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN).
No site do Instituto Chico Mendes é possível encontrar informações a cerca das Unidades de Conservação federais num .pdf demorado de fazer o download.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente atualmente as UC's  por todo o Brasil  são:
304 Federais (76 milhões ha), 797 Estaduais (65 milhões ha), 689 Municipais (10 milhões ha), 805 Particulares (0,5 milhões ha) e 517 Terras Indígenas (108 milhões ha) que, totalizando, correspondem a 259,5 milhões de hectares em todo o território nacional. Parece muita terra mas não é, se a gente considerar a extensão territorial do Brasil que é de 9.372,614 km². Para facilitar a conta vale a pena lembrar que 100 hectares equivale a 1 km².
E no Paraná, de acordo com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) existem 66 unidades de conservação estaduais, das quais 43 são unidades de conservação de Proteção Integral e 23 unidades de conservação de Uso Sustentável.
2010 é um ano especial, como já foi mencionado anteriormente, a Assembléia Geral das Nações Unidas declarou o ano de 2010 como Ano Internacional da Biodiversidade pretendendo aumentar a consciência sobre a importância da preservação da biodiversidade no mundo todo e é muito legal o Brasil participar do projeto festejando uma lei tão importante quanta essa (Lei Nº 9.985) mas é mais legal pô-la em prática.
Vamos meu povo às urnas em Outubro colaborar com o desenvolvimento sustentável desse país. Consciência ecológica é igual a voto consciente!
Bjus e tchau tchau o/

sábado, 10 de julho de 2010

Ah, os feromônios!

Você já deve ter ouvido a célebre frase "O amor é cego" pois é, pode até ser verdade que amor não enxergue bem mas, de uma coisa eu tenho certeza o amor tem um olfato aguçado e o sucesso da conquista e do acasalamento pode ser feito através dos famosíssimos: FEROMÔNIOS!!!!!
Vamos começar pela definição que foi realizada pelo bioquímico e entomologista alemão Peter Karlson em 1959, que propôs a utilização de um produto químico para comunicação entre indivíduos da mesma espécie, dizia o seguinte " Ferômonios são substâncias secretadas para o exterior por um indivíduo, capazes de provocar excitação ou estímulo em outro indivíduo da mesma espécie, que apresenta uma reação específica fisiológica ou comportamental."
Essa definição não é completamente verdadeira, atualmente muitos cientistas tem desenvolvido estudos com feromônios que agem entre espécies diferentes.
Existem dois grupos de feromônios conhecidos: Sinalizadores, que provocam mudanças comportamentais de curta duração (repulsa/atração); e Feromônios de marcação, provocam mudanças comportamentais de longa duração.
Sabendo disso, fica fácil entender a linguagem que os insetos utilizam para reconhecimento e comunicação uns com os outros, fazendo aquelas trilhas que atravessam a nossa cozinha entrando pelos armários e buscando incessantemente nosso pote de açucar. Essa linguagem química é muito "requintada" e atua como citado acima na mudança de comportamento, eu lembro que uma vez na faculdade um professor comentou que alguns insetos como as abelhas são capazes de liberar feromônios que afetam o desenvolvimento de outras abelhinhas.
Saiu na Nature recentemente o seguinte artigo: "The male mouse pheromone ESP1 enhances female sexual receptive behaviour through a specific vomeronasal receptor" resumidamente o artigo cita um ferômonio de baixo peso molecular (7KDa) encontrado em camundongos que é liberado na lágrima e em outros fluidos do macho que estimula os neurônios sensoriais da fêmea. O estímulo, segundo os autores, tornam o comportamento sexual feminino mais receptivo ao sexo (propriamente dito). Estes resultados mostram que ESP1 é um feromônio fundamental do sexo masculino que regula o comportamento reprodutivo das fêmeas através de um receptor específico no sistema vomeronasal em camundongos.
O órgão vomeronasal como o nome diz vêm do osso facial vemor, que está localizado entre o nariz e a boca, também conhecido como órgão de Jacobson (homenagem ao pesquisador dinamarquês Ludwig Levin Jacobson), nessa estrutura localizam-se neurônios sensoriais que detectam substâncias químicas distintas que são, na maioria das vezes, moléculas em estado não volátil. Isso facilita a detecção de ferômonios e de outros compostos químicos.
Bom o estudo foi realizado em camundongos e embora eu goste muito de Barão Vermelho o Roberto Frejat errou ao dizer "homem não chora nem por dor nem por amor", então meninos não tenham vergonha em demonstrar seus sentimentos chorem a vontade, isso causa estímulo positivo nas meninas, pode até não ser pelo mesmo mecanismo encontrado no artigo mas, é bem legal ver que meninos tem coração no final das contas ;)
Quem quiser dar uma olhadinha no resumo em inglês é só clicar no link: http://www.nature.com/nature/journal/v466/n7302/full/nature09142.html
beijinhos e tchau tchau o/

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Vazamento de óleo

Nos útlimos dias eu fiz uma busca (modesta) na literatura a respeito dos impactos causados por vazamentos de óleo em plataformas petrolíferas.
Infelizmente acidentes em refinarias parecem ser constantes. Desde os anos 70 há registros de acidentes ecólogicos de grandes proporções em diferentes locais ao redor do mundo envolvendo a extração de petróleo.
No Brasil, apenas na região sul/sudeste  foram registrados 232 acidentes em 27 anos (1974-2000), sendo que 75% desses vazamentos são considerados de pequeno porte.
No entanto, os outros 25% de que se tem notícia são verdadeiras catástrofes, como aquele ocorrido em 2000 aqui do ladinho no município de Araucária, que foi palco de um dos maiores desastres ambientais onde 4 milhões de litros de petróleo vazaram pelas águas do rio Iguaçu, a responsável por isso é a Refinaria Presidente Getulio Vargas, mais conhecida como REPAR, durante muito tempo a Repar foi acusada de negligência uma vez que o acidente poderia ter sido evitado. A tragédia foi tão grande que entrou para história dos maiores desastres ambientais do estado do Paraná pode-se dizer do Brasil, a mortandade abrangeu capivaras, tatus, antas, além de centenas de aves (martim-pescador, biguá e saracuras, narceja e jaçanãs) e peixes, os animais tem uma chance mínima de sobrevivência, pois o óleo impede a respiração e eles acabam morrendo por asfixia.
É petróleo cru para chuchu que vaza pro meio ambiente sem controle quando acontecem esses "acidentes". No Rio de Janeiro, no início do mesmo ano do acidente com a Repar,  o rompimento de um ducto colocou em risco a única área de preservação na Baia de Guanabara e sabe qual o valor da multa? R$ 94 mil reais, que é o que a legislação prevê para o tipo de acidente ocorrido, porque aqui no Brasil crime contra o meio ambiente não é "tão criminoso" é só um acidente. A refinaria em questão é a Reduc, Refinaria Duque de Caxias. 
De fato acidentes com petróleo são desastrosos, sejam para espécies marítimas ou não. A extensão dos danos causados ao meio ambiente são difíceis de mensurar, mas toda a biota é afetada, de poríferos a mamíferos, com graus diferentes de prejuízo.
Embora muitas vezes o dano ao meio ambiente seja algo prevísivel as refinarias assumem todo o risco desde a coleta até o transporte, infelizmente quando acontece um acidente de pequenas ou grandes proporções a tendência é esconder e não divulgar informações necessárias para monitoramento da tragédia.
Por exemplo, no dia 15/04/2009 ocorreu um vazamento de óleo da Refinaria Landulpho Alves, em São Francisco do Conde (BA), a Petrobrás demorou para fazer a divulgação do produto derramado e da extensão do vazamento, mas durante muitos dias os pescadores retiravam uma quantidade obscena de peixes mortos por causa do óleo.
Eu não pesquisei tanto assim, mas eu fiquei com medo do que eu vi. Todo ano tem um rompimento de um ducto nas refinarias. Se a gente somar a quantidade vazada de cada refinaria, a área de extensão e a gravidade para o meio ambiente, no mínimo senhores, deveriamos urgentemente discutir formas alternativas de energia e pressionar o governo para a obtenção de uma energia verde, limpa e sem ou com o mínimo de danos a natureza.
O que é um dano pequeno ou grande para uma planta ou um animal? Para uma vida que acaba o dano é de 100% e, logo ele, é gigante.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

O trabalho do bicho!

Quantas vezes você ouviu dizer que nicho ecológico é o lugar onde os organismos vivem? Ou pior ainda: o papel que o organismo desempenha no meio ambiente um tipo de "emprego". Esqueça tudo e isso e pense na frase: a Mata Atlântica é o nicho onde vive o Milvago chimachima, popularmente conhecido como Gavião Carrapateiro. Bem agora vamos analisá-la, por partes:
Primeiro: A Mata Atlântica na verdade não é um nicho e sim um ecossistema, diga-se de passagem, quase que exclusivamente tupiniquim.
Segundo: O lugar onde os organismos vivem não é o nicho, e sim o famoso habitat.
Um habitat pode ser uma lagoa para um peixe, uma campo para borboletas, uma placa de cultura para bactérias enfim, um habitat fornece uma série de nichos distintos, e cada animal que vive em um determinado habitat está adaptado à ele e, portanto, apresenta estilos de vida também distintos.
O nicho ecológico muitas vezes é mal compreendido pelas pessoas isso porque ele não é um lugar. Eu achei a definição de Colin Townsend, professor e pesquisador (imagem tirada do site da Universidade de Otago), a mais simpática das que eu já havia ouvido, ele diz que o nicho não é um lugar no universo e sim uma idéia. Uma vez que para sobreviver os organismos necessitam ser tolerantes a determinados ambientes e/ou variações do meio e, ter suas necessidades fundamentais supridas, como: temperatura, umidade, altitude, luminosidade e etc.

O responsável por essa "confusão toda" foi o naturalista inglês Charles Sutherland Elton que em 1933 publicou  The Ecological Animals que é considerado um dos clássicos na história das publicações no campo da ecologia. Na verdade o que ele disse foi mais ou menos isso: que o nicho é um conceito funcional, sucessão ecológica, a dinâmica de dispersão e das relações críticas à flutuação de populações de animais, incluindo a interação com o habitat e ambiente físico.
Pasmem eu vou colocar só um adendo na história toda, Charles além de britânico fez suas primeiras descobertas de relações entre espécies e habitats nas redondezas de Liverpool, sim aquela cidadezinha que viu nascer os reis do yeah yeah yeah!!!
Depois em 1957 um novo conceito foi proposto e nele as interações entre as necessidades e as condições do meio ambiente pelo indivíduo ou por uma espécie determina o estilo de vida desse indivíduo ou espécie.
Atualmente admite-se que o nicho seja definido pelos limites que possibilitam a sobrevivência dos organismos, diversos fatores que interagem e limitam taxas de crescimento e reprodução e isso é bem diferente que um simples "trabalho do bicho".
Ah eu já tava esquecendo do Gavião Carrapateiro (belíssimo), o exemplo aqui citado, é encontrado na Mata Atlântica sim e isso é verdadeiro, inclusive na estação do Parque Marumbi, dado retirado de um texto do  Fernando Costa Straube ornitólogo desde 1982 (ano do meu nascimento) e o texto presente no site Atualidades Ornitológicas, sinceramente eu não aprecio muito esse site, mas de vez em quando eu entro para dar uma fuçadinha em assuntos da avifauna.
É caríssimos, os termos utilizados em ecologia são muito mais complexos do que se imagina, mas uma boa saída para se compreender todos eles é ainda ler, ler e ler.
Espero ter iluminado um pouquinho a idéia desse conceito. Se persistirem as dúvidas procurem um ecólogo que ele saberá de uma maneira mais brilhante responder corretamente essa questão.
Beijos a todos e xauxau!!!


terça-feira, 11 de maio de 2010

Nothing in Biology makes sense Except in the light of Evolution

Gostaria de agradecer a pessoa que chamou a atenção quanto a tradução do Biólogo Theodosius Dobzhansky cuja frase eu utilizei como descrição do meu blog " Nothing in Biology makes sense Except in the light of Evolution (link para o artigo)" ou Nada em Biologia faz sentido exceto à luz da Evolução.
Não havia percebido que não tinha colocado a crase, mas mais do que isso a pessoa que "corrigiu" a frase ainda teve a delicadeza de deixar o link para o paper. Que é simplesmente maravilhoso e eu recomendo que aqueles que tiverem interesse leiam !!!!
Fica aqui meu agradecimento, foi uma pena vc não ter colocado seu nome assim o agradecimento seria mais pessoal.
abraços a todos e boa leitura ;)



sexta-feira, 16 de abril de 2010

Você sabe o que é um Hotspot de Biodiversidade?

Então, como eu havia publicado no começo desse ano, 2010 foi o ano eleito para se comemorar o Ano Internacional da Biodiversidade. E, nesse sentido seria interessante abordar alguns conceitos em torno do assunto, como por exemplo: vcs fazem idéia do que é um "Hotspot" de biodiversidade? Para os que não sabem, introduzí-los-ei no assunto, para os que sabem, ajudem-me caso eu escreva alguma bobageira!
O conceito de "hotspot" propriamente dito foi criado por Norman Myers em 1988, que na ocasião identificou 10 áreas naturais ao redor do planeta com intensa diversidade de plantas e animais. Por definição entende-se que os hotspots são áreas com grande riqueza de diversidade biológica.  Segundo a Conservation International (CI) existem 34 áreas de grande riqueza biólogica conhecidas no mundo. Mas mais que apenas um local com espécies diferentes, hotspots são habitats naturais que perderam até 3/4 da sua cobertura vegetal original mas, que ainda compreendem algo em torno de 1.500 espécies endêmicas (ou mais) que podem variar entre as mais diferentes espécies vegetais ou animais.

O senhor da foto ao lado é o Ecólogo Norman Myers.
Existe um site interamente dedicado ao estudo de HOTSPOTs mundiais, Biodiversity Hotspots, lá você encontra uma série de informações a respeito dos territórios que abrigam essas áreas de diversidade, a navegação pelo site é bem tranquila  e ele é dividido em basicamente três palataformas de interesse. A primeira é a Hotspot Science que contextualiza e indica as principais características de um hotspot  fazendo um histórico sobre o conceito proposto por Norman Myers, a segunda Hotpost by Region diz respeito as regiões onde são encontrados esses ambientes, vc clica na guia e é direcionado para uma página com uma divisão de áreas de acordo com os 5 continentes e, a terceira é a Resources que pra aqueles que já conhecem o assunto talvez seja a mais interessante, nessa plataforma existe um banco de dados de espécies endêmicas encontradas nesses locais com a situação atual que vária de ameaçada a vulnerável, tem também nessa mesma plataforma um guia de referências bibliográficas separadas de acordo com a região selecionada, por exemplo se vc escolher "Floresta Atlântica" aparece um histórico de publicações relevantes em ordem alfabética sobre aquele determinado hotspot. Bem didático (pelo menos eu achei).
E por falar em Floresta Atlântica o Estado do Rio de Janeiro possuí uma área considerada de extrema importância para a população de avifauna brasileira. A pesquisadora Maria Alice dos Santos Alves e colaboradores, em seu artigo intitulado "Avian conservation priorities in a top-ranked biodiversity hotspot" aborda a questão da conservação de áreas para manutenção dos ecossistemas, mais especificamente a conservação da avifauna presente na região do Estado do Rio de Janeiro. No artigo ela relata a importância da conservação na área da Mata Atlântica localizada no Estado, que de acordo com o Comitê Brasileiros de Registros Ornitológicos, existem atualmente (2009) 730 registros de espécies de aves no Rio de Janeiro numa área de aproximadamente 43.700 km², ou seja 40% de um total de 1825 espécies encontradas em todo território nacional.
HOTSPOT COM CERTEZA!
Caso alguém tenha interesse pelo trabalho é só clicar no link de Periódicos Capes ao lado e entrar na revista Biological Conservation, digita o nome do artigo e pronto só baixar o pdf! Simples e indolor!
bjus a todos e até o próximo post!
xauxau =)



domingo, 11 de abril de 2010

Environmental Refugees

Fazia tempo que eu vinha planejando postar alguma coisa relacionada aos refugiados ambientais também conhecidos como refugiados do clima. Resolvi, depois de uma semana da tragédia que vitimou dezenas de pessoas na cidade do Rio, publicar então sobre o assunto.


Eventos migratórios populacionais são descritos na história da humanidade há milhares de anos, na Bíblia Cristã existe a referência do Êxodo sobre pessoas que deixaram seus lares em busca de uma Terra onde existiam abudância de riquezas, de pão e mel. Esse é o princípio pelo qual milhares de pessoas ao longo da história dixaram seus lares em busca de uma condição de vida melhor.

As intempéries do clima podem ser apontadas como uma das principais (se não a principal) causas de movimentos migratórios de pessoas e animais, sendo assim, podemos dizer que os "refugiados ambientais" não são lá uma grande novidade.

Aqui no Brasil acorre com certa frequência movimentos internos de pessoas relacionados com o clima, por exemplo no Nordeste centenas de pessoas buscam outros Estados fugindo da fome causada pela seca, aqui cabe ressaltar que esse não é o único motivo, existe uma política muito suja por trás da seca propriamente dita. Mas é fato que as catástrofes ambientais que atingiram milhares de pessoas nos últimos anos servem sim de incentivo a fuga das zonas afetadas.

Em Copenhagen na COP-15 foi divulgado no segundo dia de conferência que aproximadamente entre 25 milhões e um bilhão de pessoas poderiam deixar suas casas durante as próximas quatro décadas, mas somente uma pequena parcela desses refugiados deixariam, de fato, os seus países devido à falta de meios e capacidade de viajar para lugares mais distantes. Mas a projeção vai muito além dos números a saída de um lugar pra outro não é muitas vezes uma questão de alternativa e sim, infelizmente, uma absoluta falta de opção. Normalmente os emigrantes ambientais são pessoas extremamente pobres, em sua maioria mulheres, velhos e crianças.

No caso do Rio de Janeiro, a concentração de pessoas carentes nos morros é o resultado de anos de negligência somados a falta de políticas ambientais que é igual ao caos. Em Niterói município de maior número de mortes por causa do desabamento foi muito divulgado na imprensa o caso do Morro do Bumba que foi um um lixão, ou aterro sanitário, desativado em 1982, que foi invadido e pelo que tudo indica urbanizado pela prefeitura já que alguns moradores disseram em entrevista (eu vi no Jornal Nacional) que pagavam IPTU. O problema é que vertia chorume do chão e havia também escapamento de gás metano próprio do lixo em decomposição, não fosse o desabamento por causa da chuva seria a explosão pelo gás em pouco tempo. A pergunta é: - Para onde vão todas as vítimas do desabamento? Voltarão para suas casas condenadas pela defesa civil? Terão ajuda do governo? Desaparecerão e os problemas da cidade do Rio com eles? São situações das quais não faço idéia em relação ao desfecho.

O avanço do aquecimento global e consequentemente mudanças climáticas deverá promover movimentos migratórios de proporções nunca antes imaginadas nos próximos capítulos dessa história de tragédias.

Sabe-se que o problema é tão sério que Tuvalu um atol de 9 ilhas localizadas no Oceano Pacífico poderá em menos de uma década deixar de existir, graças ao degelo polar e avanço dos mares. Outros países como Vietnã, Bangladesh, Maldivas e Níger também estão com a água batendo literalmente no pescoço!

Embora o avanço das águas seja preocupante ele não é o único problema causado pelas alterações climáticas, há também o avanço promovido pelos desertos.

E para quem pensa que deserto é um problema dos continentes Africano e Asiático está profundamente enganado, aqui pertinho no Rio Grande do Sul em uma cidade chamada Alegrete sabe-se que há uma massa de desertificação que vêm nos últimos anos engolindo a vegetação nativa e criando um novo horizonte cheio de dunas. De um lado há pessoas que gostem da idéia de um deserto no Brasil pois seria mais uma fonte de turismo, por outro lado, há centenas de pessoas condenadas a somar naquele montão de "refugiados ambientais".

E para quem ainda não está convencido do que estou dizendo, sabe a Amazônia? Com o derretimento dos Andes uma grande população de desabrigados migrará em direção a Amazônia, que apesar de verdinha é sustentada apenas pela decomposição de matéria orgânica promovida pela própria floresta, ou seja ecossitema equilibrado, coloque ali pessoas e em breve teremos um deserto brasileiro pobre em animais, pobre em pessoas. E pobre de nós que estaremos vivos para ver o que aconteceu e não fizemos nada para mudar isso.

Boa sorte para os moradores do Rio porque deles será o reino dos céus!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Nossos felinos ameaçados de extinção.

Olá leitores,
Ia postar algo a respeito dos refugiados ambientais mais o blog do Planeta do Bem fez isso primeiro e não quero que pareça uma cópia de idéias, então fica para próxima!
Então resolvi postar algo sobre felinos, já mencionei anteriormente aqui no Blog que eu tenho um schnauzer e uma gatinha (vira-lata), tem chovido bastante a noite aqui em Curitiba o que deixa a gata (o nome da gata é gata) extremamente injuriada, pois como qualquer felino é a noite que ela pode colocar as garrinhas para fora. Como está chovendo ela não pode explorar o ambiente então ela mia, mia muuuuuuuuito a noite. Eu que sou um animal com hábitos diurnos e levanto muito cedo, pensei em dar uma boa "matadinha" nela, mas como a lista de animais em extinção no Brasil não é pequena resolvi repensar e dedicar um post especial aos felinos brasileiros, afinal ela não tem culpa de estar chovendo.
A família Felidae é composta por 37 espécies de felinos, exceto pelo gato doméstico, todos estão em perigo ou ameaçadas de extinção.
De modo geral, podemos dizer que sempre que se fala em felinos o primeiro pensamento que vêm à cabeça são os leões na África (Phantera leo) faz sentido uma vez que a figura do leão é amplamente explorada pela Disney. Mas enfim, vamos focar no Brasil.
O maior e mais reconhecido felino brasileiro com certeza é a nossa querida onça-pintada (Panthera onca), também conhecida como jaguar, o que poucas pessoas sabem é que a onça-pintada não é um animal endêmico do Brasil, esse felino tem distribuição geográfica desde o México até o norte da Argentina (dados da IUCN) como pode ser visto no mapa.
São encontrados mais especificamente em zonas florestais, planícies pantanosas e savanas. Por causa da degradação do habitat, consequência do desmatamento das florestas, a população de onça-pintada diminuiu drasticamente nos últimos anos. E infelizmente, nem nos parques nacionais refúgios da vida silvestre esses animais estão livres de ameaça, é triste dizer mas em março do ano passado uma onça-pintada foi atropelada no Parque Nacional do Iguaçu (PNI), acredita-se que ela passou de ameaçada a inexistente lá no parque,  alguns biólogos afirmam que ela era a última onça remanescente do PNI, esse tipo de "acidente" ocorre porque é permitido o trânsito de automóveis dentro do Parque. Enfim, certas coisas são mesmo difíceis de se compreender. Fato é que os felinos de grande porte são ameaçados de extinção, mas não são os únicos. Em geral os felinos são divididos em gatões: tigre, leão, onça-pintada, onça-parda entre outros e, em gatinhos como: jaguatirica, lince, gato de maracá, etc. A extinção é um processo que ocorre naturalmente, mas que está sendo seriamente agravado pela pressão humana sobre os ambientais naturais, um dos maiores problemas é aquele causado pela depressão endogâmica, em que animais que são cosanguineos acasalam e geram proles com maior probabilidade de desenvolvimento de doenças causando uma fragilidade tão severa que pode sim levar a extinção em poucos anos. Uma das diferentes formas de se evitar ou atrasar o processo de extinção é conhecer melhor as espécies, nesse sentido o IBAMA fez uma das ações que eu considero das mais interessantes criou em 1995 o Grupo de Trabalho Especial para Pequenos Felinos Brasileiros, também conhecido como plano de manejo para felinos brasileiros de pequeno porte, dessa forma tenta-se manter um programa de conservação. Aqui no Paraná, eu li alguns estudos com felinos no Salto Morato, mas ainda sim acho que tem um longo caminho a se percorrer, porque tudo está ligado a conservação do habitat que convenhamos no nosso país é algo muuuuuuuuuito precário.
No Brasil, se eu não estiver enganada, existem 8 espécies de felinos, são elas: onça-pintada (Phantera onca), suçuarana [minha preferida] (Puma concolor), jaguatirica (Leopardus pardalis), gato-maracajá (Leopardus wiedii), gato-do-mato-grande (Oncifelis geoffroyi), gato-do-mato-pequeno (Leopardus tigrinus), gato-palheiro (Oncifelis colocolo) e finalmente o gato-mourisco (Herpailurus yaguarondi).
Tendo vista que a ameaça de extinção dos felideos de grande e pequeno porte é real, muitos pesquisadores brasileiros tem trabalhado o estudo do comportamento de algumas espécies em cativeiro, observam locomoção, atos comportamentais, parado, cuidados corporais, hábito exploratório, vocalização, interações agonísticas, interações pacíficas, reprodução etc. Apesar de ter uma boa intenção todos esses comportamentos são baseados no sistema de repetição e, em cativeiro é fato: os animais não conseguem expressar verdadeiramente seus comportamentos,  pois, estão em um ambiente completamente distinto do natural, mas é importante para compreensão dos padrões comportamentais e possivelmente pode ajudar (ou não) na configuração de planos de manejo adequados, como tamanho da área na reserva ou a retirada de rodovias no interior dos parques. A maioria dos estudos  limita-se a uma única espécie, não que seja errado, mas eu na minha humilde opnião acredito que deveriam existir esforços na tentativa de publicação da interação das espécies nos ambientes naturais, porque é a ecologia, a história natural delas que vai definir como protegê-las da extinção. Mas enfim, Serafim!
Alguns sites que são interessantes e eu recomendaria o próprio site da IUCN que está na lista de sites legais aqui do blog e sempre é bom ler as notícias e saber o que está acontecendo com a biodivesidade no Brasil e no Mundo, o site do Renctas, do projeto Felinos do Aguai, o site  Biodiversityreporting. Claro sem contar os sites de busca de artigos científicos, em relação a esses eu tenho uma dica, busquem revisões, antes de procurar algo específico entenda o contexto global e revisão é o canal com certeza!
Bom por enquanto é isso,
bjus e xauxau.



segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Reserva Biológica da Biodiversidade COP9 MOP4

O governador do Estado do Paraná, Roberto Requião, assinou no dia 08 de janeiro de 2010 um decreto que cria no estado a Reserva Biológica da Biodiversidade COP9 MOP4.
A Reserva Biológica está localizada nos Campos Gerais, possui 133 hectares de extensão e, está inserida dentro de uma área de 300 hectares que compõe o maior corredor de biodiversidade do Sul do Brasil, interligando áreas importantes de preservação no Paraná.
O projeto tem como objetivo a proteção da Mata Ciliar, programa que vêm sendo desenvolvido pelo Estado desde 2004 que ajuda na manutenção da biodiversidade,e  também de captura de carbono cuja a finalidade é o plantio de mudas de espécies nativas ou isolar áreas parcialmente degradadas, para que a vegetação tenha condições adequadas para que recompôr naturalmente.
A área onde foi criada a Reserva era utilizada anteriormente para o plantio de pinus.
E por falar em pinus, vale a pena ressaltar que a espécie foi introduzida no Brasil há aproximadamente 100 anos atrás, inicialmente para fins ornamentais depois para exploração pela indústria madeireira. Por se tratar de uma espécie exótica em pouco tempo de cultivo tornou-se uma verdadeira praga e ameaça fortemente os sistemas naturais, pois possui um sistema de dispersão rápido e adapta-se facilmente a diferentes ambientes (espécie generalista). As espécies de Pinus mais utlizadas para fins comerciais no país são P. elliottii, P. caribaea, P. kesiya, P. oocarpa, P. patula, P. pinaster, P. radiata e P. taeda.
Bom como bióloga não posso aceitar a justificativa para o uso de espécies exóticas principalmente porque essa justificativa está apoiada no fato de espécies exóticas terem crescimento mais rápido e que espécies nativas são difíceis de cultivar e sua biologia ainda é pouco estudada.
Ora isso é desculpa, não uma justificativa.
Outro dia em uma visita a EMBRAPA FLORESTAS perguntei a pesquisadora responsável por crescimento vegetativo e propagação de sementes qual o motivo de se estudar in vitro uma espécie exótica. A resposta foi a mesma de sempre, " Não podemos parar a economia e a indústria de papel e para isso precisamos de reflorestamento, por isso estudamos o pinus aqui na EMBRAPA", eu argumentei que eu entendia o processo econômico da indústria madereira o que eu não entendia era porque não se investia em cultivo de espécies nativas, uma vez que, as espécies como imbuia, cerejeira, mogno são de qualidades infinitamente superior.  A pesquisadora replicou " o estudo de espécies nativas no Brasil ainda está engatinhando enquanto o estudo de espécies como o pinus está infinitamente avançado".
Engraçado porque mesmo sabendo dos riscos do sistema de propagação de sementes e trabalhando em um laboratório de melhoramento genético não havia nem um controle genético que evitasse a propagação da espécie em ambientes naturais. O custo para contenção e retirada de uma espécie exótica invasora É INFINITAMENTE ALTO.
Mas ainda sim é louvável a atitude do governo de transformar uma área que era para plantação de pinus numa Reserva Biológica. Apesar da criação de corredor biológico ser questionável quanto a sua efetividade é melhor que nada. A gente tapa um buraco ali e descobre outro buraco aqui e assim a gente vai levando.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

2010 Ano Internacional da Biodiversidade

2010 foi declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como Ano Internacional da Biodiversidade. A abertura oficial será feita no dia 10 de Janeiro, em Berlim, na Alemanha.  A partir da abertura serão iniciados movimentos em todo o mundo, durante o ano todo, que visam a divulgação de informação, a proteção da biodiversidade e incentivo às organizações, empresas, insitituições e também ações individuais que possam de alguma maneira promover a redução da perda da biodiversidade.
Essas ações giram em torno da idéia do problema global da perda da biodiversidade que possa ser reduzido com ações locais.
Foram firmadas 975 parcerias em todos os setores para apoiar a sensibilização das pessoas em todo o mundo e dessa forma conservar a biodiversidade. Os planos de metas foram traçados junto com as instituições governamentais e ONGs que trouxeram as questões principais que foram discutidas na Agenda Global.
A iniciativa é tão bacana que todas as parcelas da sociedade podem contribuir, é só cada um fazer a sua parte. Educação Ambiental promovida por escolas, zoológicos, universidades farão a diferença em como a população pode reduzir seu próprio impacto sobre o meio ambiente.
Os governos e as ONGs, por sua vez, ficarão responsáveis em aplicar a legislação sobre a natureza a nível mundial.

Vale a pena lembrar as principais ameaças a Biodiversidade segundo a Lista Vermelha da IUCN divulgada em 2009:


  • A perda de habitat e degradação do meio ambiente são as principais responsáveis pela perda de biodiversidade. Juntas afetam 86% de todas as aves ameaçadas, 86% dos mamíferos avaliados e 88% dos anfíbios ameaçados.


  • 99% das espécies ameaçadas estão em risco por conta da atividade humana.


  • Introduções de espécies exóticas (acidentalmente ou intencionalmente).

  • Superexploração de espécies.
  • Poluição e doenças (cinomose, parvovirose, gripe, etc).
  • E a mudança climática (insucesso da cop-15), entre as principais consequências da mundança climática as mais cruciais são: a alteração nos padrões de aves migratórias, degelo e branqueamento dos corais.




 Banner da IUCN.

Responda ao Quiz e teste seus conhecimentos sobre a biodiversidade!


sábado, 2 de janeiro de 2010

Ano novo, velhos problemas!

A cada ano que inicia novas promessas são feitas, novos sonhos sonhados, saímos da cidade procurando um lugar mais próximo à natureza, pode ser uma praia, uma casa no campo, pode ser uma cidade no interior, ou ainda, o jardim da sua casa. Mas é fato, a natureza de uma forma ou de outra é sentida por todos nós, com mais intensidade para uns e menos para outros.
Como eu não fui viajar acabei vendo muita TV e lendo muito Jornal nesse final de 2009 e início de 2010. Desde os programas televisivos de retrospectiva aos jornais impressos, todos, de forma geral, comentaram algo a respeito das mudanças climáticas e em especial as chuvas que foram intensas e causaram muitos problemas às cidades do Brasil e do mundo. O que eles tinham em comum e me chamou a atenção e, depois ficou evidente numa reportagem sobre o clima de um jornal local foi o título: "Sudeste é castigado pela chuva". O apelo do jornal com certeza é valido para quem vive de notícia, eu li e muitas outras pessoas devem ter lido também.
Mas por quê a matéria não tem um título mais legítimo do tipo "Construções inadequadas à beira de encosta são destruídas com desmoranamento de terra" ou, "Acordo em Copenhagen não saí, El Niño mais intenso trará mais chuvas e com elas mais desastres ecológicos".
Um leitor mal informado quando lê essas notícas: " A natureza cobra o seu preço", "Chuva castiga cidade'', "Milhões de mortos em onda esmagadora", incoscientemente tem a idéia que a natureza é vingativa e isso não é, nem de longe, verdade. A realidade é bem diferente dessa apresentada nos jornais, o que existe de verdade, são cidades mal planejadas, desmatamento de florestas e seus entornos, rios e nascentes com suas vazões sendo reduzidas pelo crescimento urbano, inexistência de tratamento de água e rede de esgosto. Coisas básicas no gerenciamento de um município mas que nem sempre são feitas (infelizmente).
Mas nós também temos nossa parcelinha (não tão pequena) de culpa nisso tudo. Para começar 2010 é ano eleitoral, eu lembro em quem eu votei, acompanhei o que o meu candito prometeu, as coisas que cumpriu e as que deixou, lamentavelmente, de fazer. É importante que cada um faça a sua parte, antes de um impulso consumista pensar no meio ambiente e nas consequências das nossas ações farão a mudança que o planeta precisa. Por exemplo, veja só o que o Ministro de Minas de Energia tem a dizer a respeito do ministério do meio ambiente em entrevista ao Jornal O Globo, segundo ele é dificil crescer com os entraves do Meio Ambiente.
Eu fico com pé atrás com pessoas que são suspeitas de corrupção.
Enfim....
Fica a dica: Procure mais a respeito dos nossos governantes, mas tenha sempre em mãosum antiácido porque certamente te dará uma azia daquelas!
Abraços a todos e votos de um ano bom para todos nós!!!!

domingo, 20 de dezembro de 2009

Charles Robert Darwin

Estávamos no Herbarium da PUC-Pr Helen, Rodrigo e eu, falando sobre música alguns dias atrás, de repente sabe se lá bem o motivo o Rodrigo nos contou que certa vez lá no Museu de História Natural do Capão da Imbuia, aqui em Curitiba mesmo, os pesquisadores estavam falando sobre o Darwin, daí era Darwin para cá, Darwin para lá e ele fez muitas coisas, quando não mais que de repente uma estagiária da BIOLOGIA, solta a pérola das pérolas: -Eu já ouvi falar desse Darwin, quem que era ele mesmo? Daí os meninos ficaram todos horrorizados e disseram:- Darwin foi um estagiário aqui do Museu, um carinha que já foi embora. Segundo o Rodrigo, ninguém contou para ela quem era o carinha e ela também não perguintou mais.
Sinceramente? Eu acho que é lenda, deve ser mais uma daquelas mentiras que os homens contam, porque é impossível um estudante de biologia não saber quem foi Charles Darwin, aliás, impossível e inaceitável.
Mas, para aqueles que não são biólogos vale pena ler a biografia, conhecer a história que mudou a história da evolução das espécies. Charles Darwin além de pesquisador, era um cara muito simpático, eu recomendo!
Naturalista Inglês, nascido aos 12 de Fevereiro de 1809, ou seja, foi comemorado agora em 2009 o seu bicentenário. Estudou medicina primeiramente, mas não tinha muito gosto por cortes e anestesias, desde muito cedo começou a montar coleções, mais tarde tornou-se naturalista a exemplo do pai, Robert Darwin, físico e naturalista.
Influenciado pela leitura de "Ensaio sobre a população" de Malthus, Darwin começou a fazer as perguntas certas criando uma das mais belas teorias da história: a evolução das espécies pela seleção natural, segundo a qual os mais aptos possuem uma chance maior de deixar descendentes.
Mas é lógico que a genealidade foi apoiada em cima de muito estudo e principalmente das observações que ele pode fazer em campo, quando da viagem do Beagle que durou 4 anos e nove meses, nessa viagem ele teve a oportunidade de coletar fósseis, observar espécies novas e espécies já conhecidas mas dessa vez em seu habitat natural. Esse contato especial com a vida selvagem, que poucas pessoas tem a chance de vivenciar, fez dele um dos cientistas pioneiros no estudo da Ecologia e da Conservação.
Nas ilhas Galapágos ele pode explicar a distribuição das espécies através dos "centros de criação" teoria feita por outro Charles, mas este, com sobrenome Lyell, a avifauna observada por Darwin em Galapágos sustentava evidências para sua teoria da evolução. Teoria que mudou o mundo e encontra-se no livro "A Origem das Espécies" uma verdadeira obra de arte, de excelentísssima qualidade.
Gostou? bem esse não é nem um terço da história.


Parece meio mau-humorado.
bjos e boa semana à todos.